SESSÃO #03: A OOTECA


À noite, enquanto XIV0 dormia, Eldon decidiu ficar de vigia do lado de fora da residência do barão Tichronus, enquanto que Zatra ficaria atento, no segundo andar, para ter uma visão privilegiada da área e, assim, antecipar-se a qualquer perigo que se aproximasse. O jack, entretanto, rapidamente caiu no sono no conforto do quarto aquecido em que se instalara, ao passo que do lado de fora, no rigoroso frio da madruga, Eldon observava cada movimento na rua, sem sequer cochilar. No momento de trocarem de posições, Eldon entrou na residência a fim de conversar com Zatra, porém este havia caído num profundo sono. Para despertar o companheiro de vigília, Eldon preparou um chazinho quente, posicionando a xícara ao lado da cama onde Zatra dormia. Este, ao ser suavemente acordardado pelo aliado, foi logo experimentar o chá aquecido. Qual foi sua surpresa ao perceber que o chá era de produção própria e orgânica de Eldon, contendo substâncias metabólicas que deveriam ter sido eliminadas em um banheiro, e não depositadas em uma xícara.

Ao amanhecer, Doreal, o mordomo do barão Tichronus, dirigiu-se até Eldon para lhe informar que estava de partida, juntamente de seu thurden, deixando os shins para que Eldon distribuísse aos demais contratados do barão, e aproveitou para dizer que havia solicitado que um dos homens do barão investigasse o recém chegado Zatra. Os homens, no entanto, nada descobriram, afinal o jack não havia aprontado nada de especial desde as últimas semanas, quando chegou a Uxphon. Doreal alertou que os escravos eram o bem de maior valor que o barão possuía e que, portanto, deveriam ser vigiados e protegidos.

Thurden

Pela manhã, Zatra foi até o mercado central e contatou um conhecido da guilda e descobriu que Alexia, a tia desaparecida de Twisted Fate, havia desaparecido e que este assunto deveria ser esquecido. Na residência do barão, XIV0 descobriu, em conversa com os escravos, que o barão às vezes se mostrava mais irritado do que de costume, principalmente quando alguém o interrompia em seus estudos na biblioteca. Além disso, o escravo violoncelista confidenciou que certa vez ouviu três palavras específicas que o barão dizia para si próprio enquanto estava na biblioteca: Círculo. Verde. Dablio.

De posse da informação, XIV0, Eldon e Zatra foram até a biblioteca e passaram a tentar decifrar o código do painel afixado à parede. Após algumas tentativas, descobriram o quarto e último símbolo restante. Assim que a combinação correta foi inserida no painel, o chão se abriu, fazendo com que os três caíssem por 10 metros em uma câmara subterrânea.

Ooteca

Apesar dos 10 metros de distância, os integrantes do grupo não se machucaram tanto como poderiam, porque o chão estava repleto de uma substância macia, esponjosa, quase carnosa, secretada dos ovos, que se espalhavam por todos os lados. Os ovos variavam em tamanho. Alguns possuíam não mais que 15 cm, enquanto que outros possuíam quase o tamanho de um humano. Pouco tempo após atingirem o chão, a abertura no teto se fechou, inibindo a chegada de luz no local. A sensação no ar era desagradável e estranha. Sob cada ovo, havia um cadáver de criatura ou de pessoa. Em alguns locais, eram pessoas que ainda não haviam morrido, mas que estavam moribundas. Aos poucos, Eldon percebeu que criaturas lentamente se aproximavam de onde eles estavam, conforme mais movimentos e mais barulhos faziam. Criaturas pequenas, medindo não mais que 60 cm de comprimento, parecidas com vermes cobertos de muco, face sem olhos e bocarra cheia de dentes. A locomoção se dava pelos pequenos cílios que cobriam todo o corpo.

Ao esbarrarem em um dos ovos, um verme saltou na direção, pronto para um ataque feroz, que provocaria fortes lacerações na pele de quem fosse atingido. XIV0 instintiva e abruptamente moveu seu  braço mecânico direito e disparou um potente golpe direto no abdome do verme, que voou por uma longa distância, expelindo involuntariamente um líquido mucoso no ar, chocando-se com um aglomerado de ovos a uma dezena de metros de onde estavam. O golpe foi preciso, mas sabiam que não levaria muito tempo até que outras criaturas se aproximassem.

Ao longe, Eldon, após ter utilizado sua cifra que lhe permitia enxergar perfeitamente e à longa distância, notou que uma nova figura surgia: uma estátua em tamanho real de uma mulher humana, que foi talhada com excelência no mármore branco. 

A Estátua

A estátua aparentava ter sido construída há muito tempo, e sua superfície encontrava-se rachada. Dessas rachaduras, um fluido azulado escorria lentamente, deixando manchas em sua "pele" branca. Além disso, um mofo verde azulado crescia no fluido úmido e nas manchas secas. À medida que ela se movimentava para perto do grupo, notava-se solavancos, com muitos rangidos e estalos de sua forma pétrea. Do lugar de onde ela saiu, Eldon notou uma passagem. Rapidamente Zatra XIV0 o seguiram, evitando encostar em corpos ou ovos que se espalhavam pelo chão.

Ao se aproximarem da criatura, esta emitiu um sinal mental incompreensível, que provocou fortes dores de cabeça e um apito agudo nos ouvidos dos contratados pelo barão. Não sendo possível a comunicação com a estátua, decidiram os três seguirem-na, visto que, aparentemente, ela sabia o caminho para onde deveriam seguir.

Caminhando por um tempo subterrâneo adentro, chegaram a uma nova câmara, esta muitas vezes maior e mais profunda que a câmara de ovos. A nova área aparentava ser um complexo com éons de idade. Uma cidade sofisticada, talvez, ou uma estrutura residencial massiva. Era difícil saber ao certo. Por todas as direções, percebia-se a presença de imensos containers metálicos empilhados um sobre os outros sem nenhuma fresta ou abertura em suas superfícies. O chão era plenamente plano, preto, sem rachaduras ou emendas, também de aspecto metálico. O labirinto de containers seguia por centenas de metros, contudo a estátua deslizava sem titubear, como se seguindo para um caminho certo e conhecido.

Ao passarem por um enorme buraco na parede, que parece ter sido perfurado na parede de metal, seguiram por uma passarela, ligeiramente inclinada, suspensa na escuridão a uma altura de muitas centenas de metros. À frente e abaixo, vinha o som de geradores vibrando, acompanhado de um calor úmido. Terminando de percorrer a passarela, notaram algumas luzes coloridas que iluminavam diversos cilindros, no interior de uma ampla câmara. Geradores antigos ainda produziam energia, e ali uma criatura colossal estabeleceu seu covil.




Questões não respondidas:

  • O que houve com Alexia?
  • O barão Tichronus sabia da existência da câmara?
  • O que são os ovos?
  • Como os corpos foram parar dentro da câmara de ovos?
  • De que se trata o complexo por onde passaram?
  • Que criatura é aquela que encontraram no subterrâneo?


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